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Bolsa de Valores de Moçambique encomenda estudo para entender a razão da fraca adesão de empresas

Afinal, o facto de os bancos serem os únicos intermediários do mercado de capitais pode estar entre as razões para a fraca adesão de empresas à Bolsa de Valores de Moçambique. A conclusão é de um estudo preliminar encomendado pela Bolsa de Valores de Moçambique à USAID, que aponta os bancos como concorrentes à Bolsa. O estudo, apresentado na tarde desta quarta-feira em Maputo, foi encomendado pela Bolsa de Valores de Moçambique e procura perceber o conjunto de razões que atrasam o seu desenvolvimento, visto que apesar do elevado crescimento económico, a uma média de 7% em duas décadas, e de estar no mercado há 18 anos, apenas seis empresas estão cotadas.

De acordo com o economista Hipólito Hamela, consultor no referido estudo, a conclusão principal do estudo é que a BVM tem como operadores de mercado de capitais os seus próprios concorrentes, isto é, os intermediários do mercado de capitais são os bancos. E estes não têm nenhum interesse em convidar uma pessoa que esteja com excesso de liquidez e com interesse de comprar acções a fazer um depósito a prazo nesse banco. “Nem sabes quanto é que te vai pagar a Cervejas de Moçambique, nem sabes quanto é que te vai pagar a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos ou outra empresa, mas eu garanto-te agora, limpos, 22% (da taxa de juro passiva pelos depósitos de excesso de liquidez)”, disse Hamela referindo-se aos bancos a dirigirem-se a quem pretenda investir em bolsa.

Hamela explicou também que no caso das empresas cotadas em bolsa pretenderem expandir negócios com recurso à abertura de capital a novos accionistas, os bancos podem, desonestamente, convidá-las a contrair crédito.

Mas há outras razões relacionadas com a contabilidade organizada e de transparência e o problema cultural. “Há alguém que me perguntou o seguinte: se a minha empresa é lucrativa, por que vou abrir 20% dela para dividir lucro com outros?”, Exemplificou Hamela.

O presidente da Bolsa, Salim Valá, explicou que com o estudo encomendado, à USAID pretende torná-la num instrumento de referência que contribua para melhorar os modestos indicadores globais de estabilidade económica de Moçambique, com foco no alargamento dos instrumentos para financiar a actividade produtiva das empresas, no geral, e das Pequenas e Médias Empresas (PME), em particular.

Já o sector privado, através do presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), disposto a mobilizar empresas a capitalizarem-se em bolsa, espera que o estudo traga subsídios que permitam eliminar os obstáculos.

O estudo foi apresentado perante representantes de organizações empresariais, entre as quais a Confederação das Associações Económicas, CTA, e teve como consultores o especialista norte-americano em mercados de capitais, John Thompson, e o economista moçambicano Hipólito Hamela.

In Jornal O Pais, 06 de Julho de 2017

USAID_SPEED-Stock-Exchange-Presentation-2017-07-05-rev1.pdf

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