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Capital de Risco: Será esta a solução para as PMEs Moçambicanas?

O financiamento constitui um dos maiores impedimentos às empresas privadas, com maior ênfase para as PME’s, conforme indica a pesquisa da FinScope sobre Moçambique, realizada em 2012.

Os empresários inquiridos nessa pesquisa apontaram três problemas mais notórios em relação ao financiamento das PME’s, nomeadamente: O custo elevado e a falta de disponibilidade de credito; os requisitos de colaterais proibitivos e a insuficiência de serviços bancários.

Estes problemas fazem com que maior parte das PME’s iniciem as suas actividades e realizem investimentos adicionais a partir de poupanças pessoais ou financiadas através de esquemas de poupanças informais, o que resulta no seu crescimento lento e na consequente fraca competitividade.

Para colmatar os problemas acima referidos, o governo de Moçambique está a implementar políticas e acções estratégicas visando manter a estabilidade do sector financeiro; melhorar o acesso aos produtos e serviços financeiros, apoiando o aumento da inclusão; e aumentar a oferta do capital privado para apoiar o desenvolvimento.

No que diz respeito ao acesso ao financiamento, uma das acções consiste na dinamização do mercado de capitais como alternativa de financiamento às PME’s Moçambicanas. É nessa sequência que o Banco Nacional de Investimento lançou no mercado um mecanismo de financiamento denominado Capital de Risco.

O Capital de Risco é o segmento do mercado financeiro relacionado a investimentos no capital social de empresas de capital fechado, ou seja, que não têm suas acções negociadas em bolsas de valores.

O investidor toma parte nos riscos do negócio, disponibilizando fundos e tornando-se sócio ou accionista da empresa financiada. Orienta-se pela transitoriedade temporal e pela busca de elevada taxa de retorno.

No entanto, esse retorno do seu investimento é dependente da performance do negócio. Este segmento apresenta um conjunto de benefícios necessário para um bom funcionamento duma empresa, nomeadamente a injecção de recursos financeiros, assistência à gestão e criação de credibilidade em relação aos parceiros.

Dependendo do acordo de financiamento celebrado, o capitalista de risco pode ou não se envolver activamente na gestão da empresa investida. Nos casos em que o seu papel é activo, ele participa na administração da empresa, influência política, estratégias, até na sua cultura da empresa. O empreendedor perde o seu poderio sobre a empresa e é sujeito adequar-se à disciplina imposta pelo contrato de capital de risco.

O capital de risco nos EUA e em alguns países da Europa constitui uma fonte privilegiada de novos investimentos. Um estudo recente realizado no mercado sul-africano (ver em www.savca.co.za, “The economic impact of Venture Capital and Private Equity in South Africa”) demonstra o crescimento que o capital de risco pode gerar em termos de emprego, volume de negócios e lucros num país.

No contexto actual de Moçambique os aspectos abaixo listados colocam sérias dúvidas relativamente ao sucesso da actividade de capital de risco e no recurso a este mecanismo de financiamento como solução para as PMEs Moçambicanas:

  • A pequena dimensão do mercado pode limitar o crescimento do negócio;
  • A instabilidade política, económica e o ambiente de negócio pouco atractivo a investimentos;
  • A ineficiência do sistema judicial;
  • A escassez de mão-de-obra qualificada e fraca educação tecnológica;
  • O baixo espírito empreendedor;
  • Mercado financeiro e de capitais fracos;
  • Bolsa de valores incipiente;
  • Fraca aderência do empresariado por receio de perda de controlo da empresa;
  • Resistência cultural a capital de risco;
  • Falta de contabilidade organizada e de instrumentos de planeamento e controlo de gestão;
  • A ausência de práticas de governação corporativa;

Como se pode notar, estes aspectos são transversais, exigem esforços de todos para a sua superação e devem fazer parte do plano integrado para o desenvolvimento e crescimento da economia. Particular atenção deve ser dada ao melhoramento do ambiente do negócio pois nenhuma política de desenvolvimento produzirá resultados desejados se o ambiente não for favorável. O SPEED já está a fazer a sua parte.