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ANAC aposta no desenvolvimento de turismo nas àreas de conservação

Assessor do Director Geral da ANAC, Mahomed Harun ladeado por Afonso Madope do SPEED+

Moçambique possui potencial turístico enorme a nível da região e do resto mundo. Ciente de que pouco tem sido explorado, o Governo já está a incitar acções concretas com vista a inverter o cenário actual. Para efeito, recomendou durante a Conferência Internacional de Turismo Baseado na Natureza, realizado em Junho de 2018, a necessidade de se definirem  acções que visam promover e atrair investimento dado o contributo do sector do turismo no crescimento da economia e geração de renda para as famílias moçambicanas.

É neste âmbito, que a Administração Nacional das Àreas de Conservação (ANAC) com o apoio da USAID através do Projecto SPEED+, vai elaborar o  Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo nas Àreas de Conservação, este será o primeiro instrumento de atração de investimento dedicado ao sector de conservação da biodiversidade.

Falando, recentemente em Maputo,  no seminário de apresentação do relatório inicial, o consultor Ebenezer Kwasi apontou quatro pilares para os quais o documento deverá priveligiar nomeadamente, (i) fortalecimento de políticas, (ii) Plano Director, (iii) Capacitação Institucional e (iv) igualdade genéro.

No tocante ao terceiro pilar, o plano estratégico vai dedicar especial atenção à fomação em serviço para os funcionários da ANAC, Ministério de Cultura (MICULTUR) e Instituto Nacional deTurismo, INATUR, a nível provincial, bem como consultorias de assistência técnica.

“Os papéis institucionais não estão claros, o que acaba por prejudicar o desenvolvimento do turismo”, defendeu o consultor Ebenezer Kwasi na apresentação do relatório inicial sobre Estratégia de Desenvolvimento de Turismo nas Àreas de Conservação, tendo depois afirmado que existe fraca coordenação entre as instituições governamentais.

A partir de uma análise FOFA (Força, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), Ebenezer Kwasi disse, apontando para oportunidades, que Moçambique detém lugares de conservação de eleição, nomeadamnte, Parque Nacional de Gorongosa, Reserva de Maputo, Reserva Marinha Parcial da Ponta de Ouro, Bazaruto, entre outros, que quando estrategicamente pensados podem atrair maior número de visitantes.

Estima se que cerca de 25% das viagens que acontecem em todo o mundo estão ligadas ao turismo baseado na natureza, uma oportunidade para Moçambique explorar este nicho de mercado.

Neste diapasão, Antony Alexande da PPF defendeu a intensificação de comunicação digital contendo informação sobre as rotas de turismo de que o país dispõe, como forma de publicitar e potenciar o turismo, através do marketing digital.

A prática recorrente da caça ilegal por caçadores furtivos nas zonas de conservação constitui ameaça às espécies que nela habitam. Como uma das acções para erradicar este mal, Ebenezer Kwasi considerou necessário o envolvimento das comunidades locais na preservação dessas zonas.

A participante Saquina Mucamba da MMMR/MUGEDE aposta no melhoramento de infra-estruturas, principalmente estradas e transportes, como condição necessária para atrair investimento no sector de turismo. Saquina louva a ideia de engajar mais mulheres no sector.

“Quando envolvemos a mulher, estamos a permitir que muitas famílias, principalmente crianças, garantam a sua base de desenvolvimento, uma vez que são elas quem cuidam do lar”, argumentou a participante.

Jéssica Julaia da Biofund, também participante, defendeu que as zonas de conservação devam ser sustentáveis, enquadrando um leque de actividades com vista a atrair cada vez mais turistas nacionais e estrangeiros. A participante propôs que qualquer iniciativa de desenvolvimento dos Parques e Reserva deveria ser harmonizada com o projecto “Conservation Leadership” cujo objectivo é promoção e formação dos líderes em conservação, que esta sendo implementado pela BioFund.

Por sua vez, o assessor do Director Geral da ANAC, Mahomed Harun, falando em sua representação defendeu que com o desenho do Plano Estratégico do Turismo e Investimento nas Àreas de Conservação, o Governo pretende assegurar a viabilidade e sustentabilidade dos projectos turísticos através da participação do empresariado nacioanal e as comunidades locais.

Uma vez que o evento decorre num momento pós a ocorrência dos ciclones Idai e Kennety, nas províncias de Sofala e Cabo Delgado respectivamente, Mahomed Harun enalteceu a protindão e resiliência aos gestores das instituicoes turísticos para recompôr as infra-estruturas devastadas pelas calamidades e igualmente pelo apoio prestado na assistência às vitimas.

Participaram do seminário do Relatório Inicial sobre Estratégias de Desenvolvimento de turismo 31 pessoas, das quais 25 homens e 6 mulheres.

Refira-se que o Governo, no âmbito da implementação do Programa Quinquenal 2015-2019, definiu o turismo como um dos pilares para o desenvolvimento do país. As Àreas de Conservação cobrem 25% do teritório Nacional.