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Xitique – Está na moda

Temos “Xitique” de família, “Xiitique” do job, “Xitique” da igreja, “Xitique” dos amigos que têm obras, e “Xitique” dos “cotas” (pais na tradução portuguesa). Esta lista não é exaustiva. Esta forma de poupar dinheiro é muito comum, e é praticada para qualquer propósito.

Gostaria de destacar o facto de moçambicanos terem uma cultura de poupanças (não estou a falar dos casos em que a pessoa que recebe tem de fazer uma festa), mas do facto dos moçambicanos terem a consciência de que poupar é importante. Porque assim as poupanças vão para esse fim, que é extremamente importante para o crescimento económico do país.

Apesar de ser uma forma informal de poupar, o desafio que temos é de encorajar as pessoas a guardarem as suas poupanças nos bancos. Por que isto é importante? E como afecta o crescimento económico do país?

Os níveis de poupanças em Moçambique são baixos e têm umas das maiores taxas de exclusão financeira.[1] Alguns estudos estimam que 65%[2] dos moçambicanos não têm algum tipo de poupanças que incluía práticas como “Xitique”.

A nível particular, isto tem várias implicações, e das mais graves é a vulnerabilidade em caso de alguma emergência, ou quando perde-se o emprego/rendimento, ou a longo prazo a falta de dinheiro quando a idade estiver avançada.

Mas porque os níveis de poupança são baixos? Várias respostas podem ser dadas:

  1. As pessoas não têm dinheiro para poupar.
  • O rendimento é baixo demais (níveis de pobreza do país estão acima dos 50%);
  • As despesas individuais são elevadas (consomem todo rendimento);
  1. Há falta de conhecimento financeiro (financial literacy)
  • Ensinar a importância dos bancos;
  • Conhecimento de como aceder e tirar vantagem dos serviços;
  1. Há falta de acesso a serviços financeiros;
  • Poucos bancos em zonas rurais;
  • Serviços não adequados para o mercado;

Todas estas respostas são válidas, e é importante realçar a necessidade do uso de mecanismos formais de poupança.

No banco, as poupanças depositadas transferem-se em mais empréstimos, permitindo desta forma mais acesso ao crédito -, principal barreira para o ambiente de negócios favorável; mais empreendimentos são cirados, e consequentemente o crescimento da economia.

Os custos associados para aceder os próprios fundos num banco, por um lado, desencorajam os depósitos. Eventualmente, o processo de aceder a uma conta na ATM, por exemplo, se comparado com o modelo tradicional de poupança de dinheiro “Xitique” por vezes é moroso e torna poupança no banco sem efeito, assim como o desconhecimento das vantagens do sistema financeiro cria um certo receio.

Mesmo assim, está claro que precisamos, como país, de poupar mais, usando meios formais, como mecanismo de garantir fundos para investir no futuro, fazer negócios, construir mais casas, ou garantir conforto na reforma.

Cada um com as suas prioridades mas não paremos de poupar, pelo contrário, aumentemos as poupanças e eduquemo-nos melhor para o crescimento individual, comunitário e do país.

[1] http://www.speed-program.com/Media2/News/Mocambique-com-a-maior-taxa-de-exclusao-financeira

[2] Finscope Moçambique 2014